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domingo, 22 de fevereiro de 2015

Dieta da Traça #1

Título: O Diário Oculto de Nora Rute - Confissões privadas de uma jovem rebelde
Editora: Clube do Autor
Nº de páginas: 160
Autor: Mário Zambujal

30 de Dezembro de 1968 (Segunda-feira)
Olá, Diário! Tenciono despir-me diante de ti , predisposta à sinceridade absoluta, a nudez total. Falo, escrevo de quem realmente sou e fui, do que penso e faço. Bem entendido, devo assegurar-me de que estas conversas ficam entre nós. Vais dormir, todas as noites, no imponente cofre-forte que o meu pai deixou neste rés-do-chão do bairro de Alcântara, antes de se mudar com a família, eu incluída, para o casarão de Cascais adquirido a um aristocrata alemão, subitamente atraído por lugares onde caia neve.

Da perspectiva de uma rapariga portuguesa de 21 anos, ficamos a conhecer a história, os feitos e os hábitos de Portugal no ano de 1969. Nora Rute escreve num Diário, oferecido pela mão no Natal, todas as suas aventuras e os seus pensamentos. Para ela o Diário é o seu confidente mas ao mesmo tempo o Diário é um terreno que se explora e em que se aprende a escrever.
Muitas vezes o que ela passa para o Diário não é o que realmente aconteceu, mas o que poderia ter acontecido. Portanto o Diário, além de um registo do dia-a-dia é um ensaio de ficção. E na última página ficamos a perceber que a importância de contar "a sua" versão era mais importante para ela própria, 40 anos depois, do que para um outro eventual leitor.
Quase 50 anos depois, a partilha da Nora Rute intensifica o que eu sei acerca de acontecimentos que ela refere no seu Diário, por exemplo a ida à lua ou a abertura da Gulbenkian.
O que eu sabia sobre algumas coisas que ela refere ficaram emocionalmente mais ricas como se a memória dela se tivesse incorporado na minha.



Bom Apetite

Traça